Sábado, 31 de Janeiro de 2009

Buraco.

 

O tempo encontra-se a realizar uma contagem rígida, contagem essa que encoraja a minha fraqueza a cada segundo que passa.
Estou cansada.
Estou cansada de ver o tempo passar diante de mim, celebrando a vitória de mais uma maratona.
Simplesmente não consigo aceitar.
Não sinto as minhas pernas, tremem impulsivamente tornando impossível que eu ceda. Ceda a uma queda de dor e da fragilidade, incapacitando-me de me levantar e incentivando-me a cair num sono profundo. E no profundo desse sono eu me afogue para todo o sempre.
Já não sei quem sou. A minha alma fugiu, fartou-se da fadiga. O meu coração perdeu-se. A minha personalidade está deveras distante, a quilómetros da minha estrada.
O diálogo da multidão é mudo aos meus ouvidos. O sussurro do meu grito é ensurdecedor.
A ausência é interpretada já como uma despedida, como um adeus instantâneo solto pela garganta.
Em sonhos antigos, estavas ao meu lado; o teu ressonar imaginário era uma suave canção de embalar, os teus braços quentes envolviam a minha cintura com delicadeza, os teus lábios tocavam ternamente na minha omoplata. Quando chegava estupidamente a adormecer mergulhava no dia em que iria estar frente-a-frente contigo. Era uma água pura, límpida, morna, aconchegadora, alegre. Eu observava os teus olhos atentamente, deslumbrando-me; a radiação do brilho intenso do teu sorriso fascinava-me; o teu toque, o teu abraço, o embater de ambos os peitos fazia dos meus batimentos cardíacos, um belo ruído de fundo. Fitámo-nos mais do que uma vez, e eu encolhia-me com um desejo. Um desejo que me segredava, um desejo intenso, o desejo de te beijar. E aí escrevi um ponto final sem avanços e recuos.
Tudo se desvaneceu quando deparei comigo a correr atrás de ti, ofegante, mas eras rápido, inalcançável.
Vivo do hábito, luto pela sobrevivência, luto pelo amor que ainda restou, luto por ti inconscientemente.
Não sei voar, perdi as asas da inocência. Se um dia voltares ensinas-me mais uma vez ?
 
  
«Antes de ti, (…) a minha noite era como uma noite sem lua. Muito escura, onde havia estrelas, pontos de luz e de razão… Tu rasgaste o meu céu como um meteoro. De repente, ficou tudo em chamas; havia esplendor e beleza. Quando desapareceste, quando o meteoro caiu no horizonte, tudo ficou negro. Nada mudou. Contudo os meus olhos estavam encandeados com a luz e já não conseguia ver as estrelas, além de que nada tinha razão de ser»
 
 
Lua Nova, Stephenie Meyer
 
Publicado por Bia :) às 20:56
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1 comentário :
De menina sonhadora a 31 de Janeiro de 2009 às 21:27
Em primeiro lugar menina bia, escreves tãooo mas tãooo bem.
Este texto tocou-me bastante, quantas e quantas vezes não gritamos sem ninguem nos ouvir? Não sentimos saudades de apenas uma pessoa mas ela nunca vem?
São dias em que o sol se econde por de´trás das nuvens mas que um dia...um dia talvez a felicidade bata à porta.
:D
beijnhos <3


De menina sonhadora a 31 de Janeiro de 2009 às 21:34
esse dia vi chegar minha querida :D
Eu tambem te adoro he he
beijnhos


De Joαηα a 1 de Fevereiro de 2009 às 12:02
Sabes onde é o lugar deste texto? Nos FAVORITOS! *.*
Está lindo, fascinante. :)


De Um Mel Doce a 1 de Fevereiro de 2009 às 13:39
bom texto!boa expressão!beijinho!


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