Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

Última Deixa.

 

Diogo,
 
Hoje escrevo-te.
Passei os últimos meses sem a minha outra parte, a principal parte da minha alma.
Amarrei o passado a uma cadeira e fiquei a contemplá-lo.
Parecia uma autêntica criança a desejar um brinquedo, no entanto, eu só desejava a melhor altura dos meus poucos anos de vida.
O tempo ao qual eu atribuo adjectivos, atribuo os adjectivos mais belos e amplos que existem no dicionário só para caracterizar tudo o que me deste.
Subjectivamente, deste-me o mundo com um carinho indescritível, com uma magia cintilante, com um feitiço que só tu podes exercer.
E eu apenas retorquia com o meu sorriso, com o sorriso mais verdadeiro que eu já alguma vez tivera.
Foste um excelente professor, o melhor para dizer a verdade. Graças a esse teu ensino, hoje o meu «eu» é extremamente diferente do que era antes de te conhecer. Ensinaste-me que tudo tem solução, e jamais me esquecerei desta afirmação.
Ao meu lado, eu e tu, construímos uma nova peça no meu palco, um novo mundo para o meu espírito, renovámos o meu coração. Ele batia fortemente, querendo saltar da minha caixa torácica.
Neste momento, já nada é idêntico. É como se tivéssemos criado uma barreira entre nós e o tempo, mas ele falou mais alto e derrubou-a, magoando-me com a sua crueldade.
Repentinamente, desapareceste, evaporaste. Hesitei, não consegui pronunciar uma palavra, ou dar um passo, não continuaria sem ti. Mas continuei. Continuei com o frio na traqueia, tornando o meu suspiro sufocante, mas independentemente de não estares presente, eu ainda acreditava que um dia voltarias.
Voltaste. Foi um regresso ensurdecedor aos meus ouvidos. Já não eras o mesmo, eu sentia-o, mas atirei esse pensamento ao mar, fazendo com que ele se afogasse. Afinal de contas, toda a gente muda.
Nunca mais me esboçaste o teu sorriso radiante como o sol da manhã. Murchei até cair.
Depois disto, aprendi que no amor nada é óbvio. O mundo pode dar uma volta de 360º numa fracção de segundos, salientando a nossa saudade, a distância e a mágoa.
Sinceramente, já não quero saber.
Proporcionaste-me momentos, novos sabores da vida que nem todos podem ter. Orgulho-me disso, orgulho-me de ter sido a rapariga mais feliz à face da Terra, orgulho-me de ti, incondicionalmente.
Sei que não vai dar mais, sei que não falta muito para tudo acabar e que estamos numa longa corrida contra o tempo, mas, apesar de todos os factos, não irei desistir.
Acontecerá quando tudo acabar de vez.
Não aguento fazer mais pressão sobre ti, deixo aqui este pequeno e insuficiente texto para ti, para que, se quiseres, te lembrares de mim. Estarei sempre a torcer por ti, esteja onde estiver :)
Ah, e perdoa-me. Perdoa-me por não ter sido a rapariga ideal.
 

Amar-te-ei no silêncio, incondicionalmente e ... para sempre.

 

P.S.:  «Se em qualquer sitio longínquo nos reencontrarmos, no futuro, nas nossas novas vidas, sorrirei para ti com alegria e lembrar-me-ei do Verão que passámos debaixo das árvores, aprendendo um com o outro e crescendo com o nosso amor.»

Publicado por Bia :) às 16:48
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1 comentário :
De Vera a 20 de Janeiro de 2009 às 18:30
Adoro a frase "Se em qualquer sitio longínquo nos reencontrarmos, no futuro, nas nossas novas vidas, sorrirei para ti com alegria e lembrar-me-ei do Verão que passámos debaixo das árvores, aprendendo um com o outro e crescendo com o nosso amor." livro "Diário da nossa paixão", certo? ;)
Escreves tão mas tão bem, meu Deus. :)
Beijinho.


De menina sonhadora a 21 de Janeiro de 2009 às 16:11
Plavras muita belas as que se encotnram neste texto.
As lembranças ficam para sempre pigmentadas na tela da nossa memória, temos que guarda-la muita bem e tentar com que seja preenchida com cores alegres, concerteza que com esta experiencia ficou muito mais bela :)
escreves taooo bem.
Tambem quero :P
bjs


De Leticia a 25 de Janeiro de 2009 às 19:42
simplesmente lindooo :D
beijinho @


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