Terça-feira, 6 de Janeiro de 2009

Amor Imprevisto.

Fechei os olhos cobertos de lágrimas, adormeci com um suspiro profundo e mergulhei no mundo dos sonhos.

 

Estávamos lado a lado, tu e eu, éramos grandes amigos, éramos uns inocentes inseparáveis.

Entre nós já se instalara uma confiança profunda, uma cumplicidade simples e harmoniosa. O tempo era delicado e interminável, todos os segundos eram uma preciosidade quando só estavam os nossos corações a palpitar.

Numa tarde de Verão encontrávamo-nos deitados, na relva, a contemplar o infinito céu azul e as suas nuvens macias.

Confessara para o meu espírito que já te amava, sem nenhum receio, sem dúvidas.

Era algo extraordinário, emocionante, excitante e, assim de tudo, completava a minha alma e enchia-a de brilho.

Sentia aquele carinho, aquela protecção em relação a ti. Eras especial, eras um valente teimoso, mas idolatrava-te perdidamente.

Mantive este sentimento fechado dentro de mim.

- Bia ... - pronunciaste o meu nome com delicadeza.

- Diz.

- Guardei uma surpresa para ti, não sei se queres ver ... quer dizer...era para passarmos a tarde juntos... - gaguejou, percebi que estava nervoso.

Olhei nos seus olhos azuis, deslumbrantes como a bonita maresia.

- Oh, não tenhas problemas em passar a tarde comigo. Confesso que me deixaste curiosa, vamos lá ver, então? - Esbocei um sorriso aberto.

- Sim, vamos. – retorquiu.

Pegou na minha mão cuidadosamente e por momentos pensei que, para onde quer que ele me levasse, eu sentir-me-ia sempre alegre, suspiraria com prazer.

Subitamente, parámos em frente duma porta castanha escura, envernizada, não dava para observar o interior.

- Lamento, mas vou ter de por isto - mostrou um lenço - nos seus olhos, porque afinal de contas isto ainda é uma surpresa, minha menina – disse ele, com um ar trocista.

Agora os meus olhos não viam absolutamente nada do que se passava à minha volta.

Retiraste o lenço, abri os olhos lentamente. Localizávamo-nos numa sala ampla, sofisticada, praticamente vazia. Tinha uma grande janela onde a luz solar incidia, as folhas das árvores batiam com a brisa a manifestar-se sobre elas, era uma vista maravilhosa. Perplexa e com os pés colados ao chão, olhei para o centro da sala e neste estava um piano de cauda.

Sim, eu tocava piano e um dos meus grandes sonhos era sentir os meus dedos a tocarem num simples instrumento idêntico ao que se encontrava naquela divisão.

- Toca para mim – sussurrou ao meu ouvido.

Não resisti à sua simpatia para comigo, virei-me e abracei-o fortemente.

- Obrigada, Diogo. –murmurei com a libertação das lágrimas de emoção.

Sentei-me naquele banco confortável e aconchegador e comecei a tocar uma das minhas melodias com os meus dedos estreitos e elegantes.

Fechei os olhos e senti a música a dispersar na minha alma. Tão suave, tão bela, tão subjectiva. Ele assistia completamente hipnotizado nos meus olhos, ele estava a gostar e esse facto alegrava-me.

- Tocas tão bem ! – exclamou com um suspiro.

- Graças a ti.

Aquelas palavras soaram da minha boca num impulso, sem reflectir.

Pus as minhas mãos na pele macia do seu rosto e os meus lábios tocaram nos seus.

- Desculpa - lamentei, virando-me de costas e afastando-me pouco a pouco.

Ele agarrou na minha mão, puxou-me para ele, os nossos peitos embateram e beijou-me. Um beijo doce, profundo, suave.

Abracei-o de novo e sussurrei ao seu ouvido:

- Amo-te.

Ele não retorquiu até que eu murmurei:

- Não me deixes, não te percas de mim.

- Isso nunca vai acontecer por eu te amar.

E naquela sala, os nossos corações tornaram-se num só e nunca mais fomos capazes de nos largarmos.

 

 

 

 

THE END OF MY DREAM

 

Publicado por Bia :) às 21:58
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